2026-04-17
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O ex-deputado Eduardo Cunha no plenário da Câmara — Foto: Ailton de Freitas
GERADO EM: 16/04/2026 - 19:55
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Eduardo Cunha disse uma verdade. O fato,por si só,já mereceria registro. Neste caso,ajuda a pensar os rumos do país na última década.
Em entrevista ao jornal mineiro O Tempo,o ex-deputado afirmou que a derrubada de Dilma Rousseff abriu caminho para a ascensão do bolsonarismo. “Se eu não tivesse feito o impeachment,não teria existido Bolsonaro presidente da República”,sentenciou.
Cunha perdeu o poder,mas não perdeu a pose. Imodesto,apresentou-se como precursor de “todos os expoentes da direita que aí estão”. Em provocação a Nikolas Ferreira,disse que muitos ainda usavam fraldas quando ele comandou a cassação da ex-presidente. “Tudo é fruto do meu ato. Sem o meu ato,nada teria ocorrido”,jactou-se.
É duro admitir,mas o fundador da Jesus.com tem razão. O impeachment de Dilma implodiu os pilares da Nova República e destampou o bueiro do extremismo. O pacto de convivência democrática deu lugar à radicalização. O discurso de ódio se alastrou nas ruas e nas redes.
Na sessão que abriu o processo contra a petista,um deputado do baixo clero se projetou ao exaltar a ditadura e dedicar o voto a um torturador. Dois anos depois,ele subiria a rampa para receber a faixa presidencial.
As cenas de 17 de abril de 2016 ainda impressionam. Na Esplanada,uma barreira de chapas de aço separou manifestantes contra e a favor do impeachment. O muro foi desmontado,mas a sociedade permaneceu dividida.
Na entrevista desta segunda,Cunha reconheceu que as pedaladas fiscais foram apenas um pretexto para derrubar Dilma. Sem corar,ele disse que a ex-presidente caiu porque perdeu apoio popular e não se dobrou às pressões do Congresso.
“Ela fingia que dava e não dava. Ela tratava com os partidos e não conseguia ou não queria cumprir. Então,na verdade,os deputados e senadores não queriam mais o governo do PT”,resumiu.
Dez anos depois,o chefão do impeachment tenta voltar à cena. Livre das penas por corrupção,lavagem de dinheiro e evasão de divisas,quer se eleger deputado pelo Republicanos de Minas Gerais. A estrela do partido no estado é o senador Cleitinho,que se opõe ao plano. Em agosto passado,ele perguntou à plateia de um comício em Belo Horizonte: “Vocês vão ter coragem de votar num vagabundo desse?”.
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