Amamentação muda o formato das mamas? Entenda o que acontece com o corpo após a gravidez

2026-08-07 HaiPress

Amamentação causa queda das mamas? O que a ciência explica sobre a mudança no corpo da mulher — Foto: Magnific

Durante a maternidade,poucas decisões carregam tantos significados quanto a amamentação. Além de ser reconhecido como uma das principais formas de proteção à saúde dos bebês,o aleitamento também envolve questões emocionais e físicas para as mulheres,incluindo a relação com o próprio corpo após a gestação. Entre os receios mais comuns está a ideia de que amamentar seria responsável pela flacidez ou pela queda das mamas,uma associação que,segundo estudos científicos,não encontra respaldo quando analisada isoladamente.

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Celebrada entre os dias 1º e 7 de agosto,a Semana Mundial da Amamentação chama atenção para a importância do aleitamento materno e reforça recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Unicef,que indicam a amamentação exclusiva até os seis meses de vida. As instituições apontam que a ampliação dessa prática pode contribuir para a redução da mortalidade infantil e também trazer benefícios à saúde das mulheres,como a diminuição do risco de câncer de mama,câncer de ovário e diabetes tipo 2.

A preocupação com possíveis mudanças estéticas,no entanto,ainda influencia a forma como algumas mulheres encaram o período de amamentação. Um dos estudos mais citados sobre o tema,publicado no Aesthetic Surgery Journal,avaliou mulheres com histórico de gestação e concluiu que o aleitamento não apresentou associação independente com a ptose mamária,termo médico usado para definir a queda das mamas.

Segundo a pesquisa,fatores como idade,índice de massa corporal,número de gestações,tabagismo,tamanho das mamas antes da gravidez e grandes oscilações de peso tiveram maior relação com essas alterações.

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Para a cirurgiã plástica Cecília Ruiz,os resultados ajudam a desfazer uma percepção que ainda gera insegurança entre muitas mulheres.

"Grande parte das transformações acontece durante a gravidez. As alterações hormonais,o aumento do volume das mamas e a posterior redução desse tecido fazem parte de um processo fisiológico. A amamentação participa desse contexto,mas as evidências mostram que ela não deve ser responsabilizada isoladamente pelas mudanças no formato das mamas",explica.

Amamentação muda os seios? Entenda por que a gravidez também influencia as transformações — Foto: Magnific

No Brasil,a discussão também se conecta aos desafios para ampliar os índices de aleitamento. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram que cerca de 45,8% das crianças brasileiras menores de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo,número abaixo da meta de 50% estabelecida pela Assembleia Mundial da Saúde.

Na avaliação da especialista,informações equivocadas podem pesar sobre escolhas feitas em uma fase marcada por tantas mudanças.

"Quando a mulher acredita que amamentar inevitavelmente vai comprometer a aparência das mamas,ela passa a carregar um medo que não encontra respaldo na ciência. O acesso à informação baseada em evidências é fundamental para que essa decisão seja tomada de forma consciente e sem culpa",afirma.

As alterações na região das mamas,segundo Cecília,não terminam imediatamente após o fim da amamentação. O organismo passa por um período de adaptação até que os tecidos retornem a um novo equilíbrio.

"A glândula mamária passa por um processo natural de involução depois do término da amamentação. Somente após essa estabilização é possível avaliar com maior precisão quais mudanças são permanentes e quais ainda fazem parte da recuperação do corpo",destaca.

Por esse motivo,qualquer avaliação estética ou indicação de procedimento cirúrgico deve considerar o tempo necessário para que o corpo complete esse processo.

"A ciência mostra que o corpo da mulher muda por uma combinação de fatores biológicos. Amamentar oferece benefícios amplamente comprovados para mãe e bebê e não deve ser evitado por um receio que as melhores evidências científicas não confirmam",completa.

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