2026-04-10
Comidas francesas refinadas, churrasco brasileiro, pratos mexicanos com sabor intenso... Na China, já não é difícil provar sabores de todo o mundo.Por trás desses sabores vindos de longe, há pessoas de carne e osso.Eles trouxeram as receitas de sua terra natal para a China e, nesta terra fértil em gastronomia, fincaram suas próprias raízes.
https://www.youtube.com/watch?v=nvcKMJnZpi0
A Experiência de Cookies do "Chef Hipopótamo"
Há nove anos, o francês Romain Desavis se mudou para Pequim por amor,e,desde então, deu início à sua "experiência com cookies".
Suas criações não estão escondidas na cozinha dos fundos, mas nas ruas.Um espeto de tanghulu (frutas cobertas de caramelo crocante) o fez pensar por mais de um ano — ajustando repetidamente a acidez do recheio de espinheiro, insistindo na crocância e doçura da massa, até que, ao dar uma mordida, realmente se pudesse sentir o sabor do inverno de Pequim.Em uma viagem de negócios a Chongqing, ele viu moradores enrolarem o youtiao (pão frito) no ciba (massa de arroz glutinoso), polvilhado com farinha de soja torrada e gergelim, e imediatamente pensou: "Isso pode entrar no biscoito".Tangyuan (bolinhos de arroz glutinoso), arroz glutinoso... esses alimentos do dia a dia dos chineses foram sendo, aos poucos, incorporados por ele nos seus pequenos biscoitos.
Romain Desavis valoriza muito a interação com os consumidores e frequentemente pede suas sugestões.Com o tempo, ele foi descobrindo os segredos: os habitantes de Pequim preferem o sabor encorpado de chocolate com nozes, os de Xangai são apaixonados pelo café, e os jovens de Shenzhen preferem a frescura da framboesa.Os consumidores chineses são muito abertos a novidades, e a inspiração que esta terra me oferece é inesgotável", disse ele.
Do Brasil à China: 22 anos de caminho.
A história de Wellington Oliveira de Melo começou com um "vamos ver no que dá".Há 22 anos, o chef brasileiro, então com 28 anos, recebeu um convite para vir à China e pensou: "fico um ano e depois volto". Mas quem diria que, uma vez aqui, nunca mais foi embora.
Hoje, ele é o chef executivo brasileiro do restaurante Latina. Quando viaja a trabalho, mal pousa a mala já está na cozinha — uma rotina que virou hábito.O que ele tem de especial é encontrar aquele fio invisível entre duas culturas.A feijoada, prato querido pelos brasileiros, tem clientes chineses que vêm buscar a sua dose todas as semanas; o fruto do mar refogado é comparado pelos clientes à "versão brasileira do mapo tofu".O que mais o enche de orgulho é aplicar a técnica da salada brasileira para preparar batata-doce e batata-roxa — dois ingredientes dos mais simples que, com um toque de tempero, se tornaram um clássico do restaurante que nunca sai de moda.
Depois de 22 anos, seu estômago já se "sinicizou" — 80% das suas refeições diárias são chinesas, e seus pratos preferidos são o hongshao rou (barriga de porco braseada no molho de soja) e o suancai yu (peixe com picles fermentado).O que mais o comove é a terra sob seus pés — do Bund de Xangai à Área Nova de Lingang, a cidade se renova a cada dia.O restaurante onde trabalha passou de 1 para mais de 20 unidades, e ele cresceu de simples chef a chef executivo.Hoje, ele até começou a usar ferramentas de IA para analisar dados de mercado."A China me deu muito mais do que eu jamais imaginei", diz Wellington Oliveira de Melo.
Aos 54 anos, ele recomeça em Pequim.
A história de Marcus Medina começou por acaso.Em 2011, esse chef mexicano-americano, que já havia ralado por quase 30 anos no mundo da gastronomia em Nova York e Los Angeles, veio a Pequim a passeio. Ao passar por um restaurante mexicano, empurrou a porta e entrou para se apresentar.Ninguém imaginou que aquele simples empurrão na porta seria o começo de 15 anos.
Recomeçar em uma nova cidade aos 54 anos parece exigir muita coragem.Mas a semente já havia sido plantada muito antes: nos anos 90, ele visitou a China e ficou profundamente marcado pelo sabor apimentado e aromático da culinária de Hunan.Anos mais tarde, quando buscava um novo lugar para empreender, a vitalidade e as oportunidades da China voltaram à sua mente.Em 2012, ele e seus sócios abriram o primeiro restaurante Q MEX em Pequim.Ele acredita que a culinária mexicana pode se enraizar aqui, porque os tacos e os jiaozi (pastéis chineses) têm, no fundo, muito em comum.
Aos 69 anos, ele é hoje chef executivo, mas ainda mantém um jeito simples de trabalhar: vai pessoalmente recolher as mesas, observa quais pratos foram raspados até o fim e quais sobraram mais, e aproveita para trocar umas palavras com os clientes.Claro que também recorre a big data para buscar inspiração; o menu de Ano Novo Chinês lançado com base nos dados da plataforma vendeu bem.Em 15 anos, ele e seus parceiros abriram 5 restaurantes e, este ano, planejam ir além de Pequim para explorar cidades do sul.Quando perguntado sobre quando vai se aposentar, ele deu uma risadinha e disse: "No futuro, vou continuar na China — é um dos lugares de que mais gosto neste planeta."
Três chefs, três trajetórias completamente diferentes.Um busca inspiração nas ruas, outro tece conexões entre culturas, e o terceiro se reinventa na meia-idade.O que eles trazem não é apenas o sabor de sua terra natal, mas uma paixão que transcende fronteiras.E a China, por sua vez, ofereceu-lhes um palco amplo o suficiente para que essas histórias pudessem florescer.

Media Contact
Company Name: People's Daily Overseas Edition
Contact Person: Ms. Jun
Email: junzhuo@huanqiu.com
Phone: 010-65361101
Country: China
Website: https://www.huanqiu.com/